segunda-feira, 23 de julho de 2012

Dieta Líquida Restrita

Em casa continuei a dieta Líquida Restrita. Confesso que foi MUITO difícil.

Tinha que beber líquidos de 30/30 minutos. Isso me deixou extremamente estressada! Mal acabava de tomar uma coisa, e lá vinha outra.

Mas, o que mais cansa nestes primeiros dias, é a falta que o organismo sente de "comida de verdade". Costumo dizer que a cirurgia "cortou" o estômago, não a cabeça. Sentimos vontade de comer do mesmo jeito - não fome.

Chorei, reclamei, arrependi... Tudo nestes dias. Pensei como fui parar nesta situação, se realmente precisava disto!

Nestes primeiros dias, me senti muito fraca, cansada, exausta mesmo. Não podia dormir pois o tempo entre as refeições não permitia. Não podia é nada! E elétrica como sou, me restou ter paciência.

Como eu tenho marido e filha, eles tinham que continuar comendo normalmente. Foi difícil ver as comidinhas da minha mãe, que são perfeitas, e não comer nadinha! Ficar só no caldinho.

Estava bebendo o líquido em copinhos de 50ml. Até que pensei: vou colocar no prato, e comer com colher, como se estivesse comendo qualquer outra coisa! E não é que funcionou? O cérebro entendia que "aquilo" era uma refeição. E assim a aceitação foi melhor.

Essa luta de chá, água, gelatina e caldo de legumes, durou até dia 14/07, mas para mim durou uma eternidade.

Vale ressaltar que não tive dor alguma, a recuperação em si foi muito tranquila. Tem que se tomar 1 injeção de heparina por dia. Uma amiga enfermeira veio e ensinou ao Fernando, e ele mesmo aplicava na minha barriga.

sábado, 21 de julho de 2012

2° e 3° dia após a cirurgia

SEGUNDO DIA

Acordei animada! Pensei: água, água, água!!!

A primeira enfermeira que vi na frente, fui logo perguntando (afirmando): já posso beber água né?! Ela me jogou um balde água fria, isso sim, dizendo que estava de jejum absoluto até as 18:00h! Imagina! O jeito era conformar e aceitar a situação. Levantei e fui tomar um bom banho com a ajuda do meu digníssimo! 

Não demorou muito, chegou o fisioterapeuta. Neste dia consegui fazer tudo direitinho, com direito a algumas voltas no corredor. Ele disse que era para andar bastante, o máximo que eu conseguisse, e assim o fiz.

Em uma dessas voltas, paramos na capela e fomos agradecer a Deus pela benção de ter ocorrido tudo tão bem.

Já era 14:00h quando o médico chegou animado! Fernando foi logo perguntando: ocorreu tudo bem? Ele respondeu que sim, que ele fez minha cirurgia em tempo recorde, 55 minutos! Fiquei admirada! E continuou falando que fez tudo, inclusive os testes para ver se vazava algo, dentro deste tempo e acrescentou: Não é porque eu fiz, mas ficou excelente! Você vai voltar para casa nova como entrou! Imagina minha felicidade! Disse que a previsão de alta era no outro dia (quinta-feira), e água após as 18:00h. A alimentação começava na quinta pela da manhã.

As 18:00h comecei tomar água, parecia a melhor coisa do mundo! Delícia!

E até o fim do dia foi tranquilo: água, passeios no corredor e cama!


------------------ - --------------------- - ----------------------- - ------------------- - ----------------

TERCEIRO DIA

Neste dia, estava mais animada que nunca! Afinal, iria embora e poderia matar a saudade da minha princesa! Fernando filmava e tirava fotos dela todos os dias, mas não era a mesma coisa! Queria sentir o cheirinho, ouvir a voz, tudo que tinha direito! Como foi difícil ficar longe dela! A enfermeira chefe autorizou a entrada, mas foi bem sincera: autorizo sob sua responsabilidade, se fosse minha filha, não traria. Então achamos por bem não levá-la. Fiquei só na saudade!

Este dia eu sabia que iria começar a alimentação. Quando entregaram o café da manhã, o meu não veio. Fiquei irritadíssima! Não por fome, porque eu não sentia, mas porque o médico queria ver como eu sairia me alimentando para me dar alta, e sem alimentar, como ele iria saber? Ia me custar mais um dia longe da minha pequena.

Após uns 20min, voltam com meu café da manhã: chá mate sem açúcar e adoçante! Tinha que tomar 50ml de 30/30min. Meu estômago aceitou bem, afinal, era praticamente água.

Até o almoço, fiquei assim: chá, fisioterapeuta, caminhada...

E chegou a bendita hora do almoço... Caldo de legumes - H-O-R-R-Í-V-E-L! - Tomar aquilo foi um desafio e tanto! Tive ânsia de vômito várias vezes, estava muito, muito ruim. Junto do almoço, trouxeram uma gelatina. Depois de tomar uns 3 copinhos do caldo, resolvi que o próximo seria a gelatina, e assim foi feito. Depois de comer metade da gelatina (que dava uns 50ml), falei com Fernando que a gelatina não parecia nada diet. E pedi para que ele conversasse com o pessoal. Dito e feito: gelatina com açúcar! Fiquei apavorada, pois na minha inexperiência, achei que teria a Síndrome de Dumping (depois falo dela). Basicamente, ela é provocada quando se come alimentos com açúcar. O jeito foi dar mais algumas voltinhas no corredor e esperar o médico chegar.

E o médico chegou, quase 17:00h para meu desespero! Achei que ele não iria mais. Chegou perguntando: vamos para casa? Você esta sentindo bem? Eu com certeza estava me sentindo ótima, mas o medo me fez perguntar: tem certeza que posso ir embora? Estou realmente bem para receber alta? Ele pediu para ver minha barriga, apalpou-a, perguntou se sentia dores, pediu que respirasse fundo e disse que eu poderia ir tranquila, estava muito bem. Fizemos "milhões" de perguntas antes de sair, para não correr o risco de fazer alguma coisa errado.

Me senti feliz e insegura ao mesmo tempo. No hospital ficam por nossa conta, se alguma coisa esta fora do normal, eles sabem. Em casa, como eu iria saber? 

Cheguei na casa da minha sogra e de dentro do carro vi minha princesa! Que sensação boa! Quanta saudade! Abracei, beijei, tudo que tinha direito! Posso afirmar que eu senti mais falta dela, do que ela de mim! Na casa do meus sogros, tem balanço, cachorro, muitos "cocós" (Laura chama passarinho de cocó) voando nas plantas, ela ficou muito bem - Graças a Deus!

Neste dia, minha mãe preparou a janta para mim. Ela querendo agradar, colocou todos os legumes possíveis na sopa, e ficou muito forte. Só consegui tomar 2 copinhos de 50ml, que foram suficiente para me fazer muito mal. Me sentia enjoada, nauseada, com gases ao extremo... tudo ao mesmo tempo! Foi uma noite longa, mas passou.

Na hora de dormir, coloquei minha pequena para dormir como sempre, do meu ladinho! Ficava cheirando, beijando, amassando, é muita gostosura em uma só bebê! E ela só queria o "peitin" (Mania de pegar no meu peito para dormir). Eu ADORO! Me desculpem os que acham feio, mas eu acho uma manifestação de carinho linda!

Assim acabou meu dia, feliz por estar em casa!


* Meu esposo foi e esta sendo, um marido e tanto. Não me deixava passar um minuto da hora de comer, não atrasava os remédios, cuidava da minha pequena como uma mãe! Ainda arrumava a casa e cozinha. E ainda teve paciência de Jó!

Fica aqui meu agradecimento: Mô, obrigada por tudo, sem você não seria possível!


terça-feira, 17 de julho de 2012

Pós cirúrgico

"Acordei" da cirurgia!

... Vomitando e perguntando se tinha corrido tudo bem. A enfermeira respondeu que sim, que a cirurgia tinha sido um sucesso! Então eu perguntei: Se foi tudo bem, porque estou vomitando tanto assim? Ela respondeu que era efeito da anestesia e o restinho de sangue que ficou no estômago. Juro que tentei pensar que realmente estava tudo bem, mas o sono e o vômito não me permitiam. Fiquei deitada pensando: será que hoje é mesmo terça-feira? Será que estou na U.T.I? Será que precisou de intervenção e a cirurgia terminou sendo aberta? Aff... Quanto medo em uma só pessoa!

Estabilizado os vômitos - não demorou -  me levaram para o quarto. Cheguei e vi logo o relógio, 12:30h! Ai que susto! Perguntei novamente a meu esposo: Deu tudo certo? Ele afirmou que sim! Aí acreditei e dormi! Aliás, dormir, dormir, dormir... Foi o que mais fiz. A anestesia não deu trégua.

O fisioterapeuta até tentou fazer o trabalho dele comigo, mas o sono não permitiu. Ele tentava me sentar na cama e eu caia para o lado. O jeito foi ele mesmo mexer minhas pernas, porque se dependesse de esforço meu... ai ai!

Já era +- 18:30h e eu não tinha conseguido urinar. E isso era importante! Tentei de todas as formas: barulho de água, água gelada na bendita, e nada! Aquela "comadre" era implacável!

Por volta das 21:00h pedi arrego! A bexiga não aguentava mais! Eu precisava fazer um xixizinho! Pedi que colocassem sonda. Não doeu e não foi incômodo! Após 20min eles retiraram e eu fiquei aliviada! A essa altura, meus pais já tinham ido me ver. Minha mãe foi render o Fernando para que ele pudesse dormir com nossa pequena, para ela não sentir tanto.

Quando foi 02:50h, o sono acabou. Estava com vontade de fazer xixi mas não queria incomodar minha mãe que tinha pegado no soninho. Fiquei esperando a vontade apertar até as 04:30h, quando consegui fazer sozinha - na ! Ô alívio!

Daí em diante, dormia e acordava de 20 em 20min. Queria que o dia clareasse logo! A inteligente aqui, achou que ia poder beber água logo cedo... Ledo engano!

Considerações:  Durante todo o dia, vomitei várias vezes, em pouca quantidade, mas suficiente para incomodar. Como o estômago fica vazio, vomitava sangue com o catarro que ficou agarrado por causa do tubo. Em especial quando aplicavam o medicamento TRAMAL (não gosto nem de ouvir falar!). É tão forte, mais tão forte, que mal entrava na veia, eu já vomitava! Os vômitos só duraram até o efeito da anestesia passar. Depois eu ficava enjoada com o remédio, mas era controlável. O médico não passou neste dia. Não senti NADA de dor.





segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Cirurgia

Ansiedade + Ansiedade + Ansiedade!!!

Pulando a parte que fiquei "lambendo a cria" antes ir, cheguei no hospital as 06:40h, acompanhada do meu esposo. Assinada as papeladas, fui direto para o bloco cirúrgico.

Ao deixar meu esposo para trás e entrar na área restrita, comecei a tremer de medo (literalmente). Me pediram para vestir aquela roupa linda de bundinha de fora, pois a equipe já me aguardava.

Que sala gelada! Nada aconchegante! Uma enfermeira simpática veio me dizer que iam fazer uma acesso (pegar a veia), mas o nervoso era tanto, que elas "sumiram"! Foram cinco tentativas, até que o anestesista assumiu o controle e pegou de primeira segunda!

O médico já tinha passado e perguntado se eu estava animada. Ele sim, parecia que ia trocar de roupa, não fazer uma cirurgia!

Quando o anestesista disse que ia aplicar a anestesia, me lembrei que queria conversar com o cirurgião antes (tive com ele e esqueci). Ele não queria esperar - e não esperou, me disse que tinha muito trabalho para fazer e não tinha tempo para perder (educaaaaado!). Então pedi a enfermeira: vá chamar o médico agora! (Nesta hora, o anestesista já tinha me aplicado uma injeção, que me deixou meio por inteiro lerda.). O cirurgião chegou e eu expliquei que tenho má cicatrização (Queloide),e pedi que fizesse o possível para que depois não ficassem grandes marcas. Ele me disse que ia aplicar uma injeção de "não sei oque" para amenizar, pois se tenho má cicatrização, tenho e ponto! Fiquei mais aliviada, mesmo sendo apenas seis incisões, não quero nada feio no novo corpinho né!

E começou a cirurgia...

O pós-cirúrgico é longo, merece uma postagem exclusiva!



Vou tentar fazer ainda hoje!


As vésperas do grande dia.

Tomei a decisão correta?

Esta foi a pergunta que não se calava em minha mente! Estava arrumando as coisas no dia 09 e me perguntando: será mesmo que preciso de uma cirurgia dessa? Tomei a decisão correta? E se der alguma coisa errada e eu morrer? E se, e se, e se.... Muitos questionamentos sem nenhuma resposta... Só um grande vazio me tomava conta.

E dentro do vazio eu tentava me convencer: lembra das humilhações que já passou e passa, nas roupas que gostaria de usar, de como eu gostaria de ter disposições para um milhão de coisas, e por fim lembrava da minha prima dizendo: Pensa na calça jeans... (Se acha pouco, experimente ser gordo fofo!).

Tralhas arrumadas, fomos dormir na casa da sogra. Não queria ter que acordar Laura as 05:00h da manhã e ainda ter que despedir. Deixar dormindo foi infinitamente mais fácil - oque não quer dizer que não foi um tanto difícil.

O negócio agora era dormir (oque não foi possível) e ter a certeza que estava tudo nas mãos de Deus.

sábado, 7 de julho de 2012

Efeito borboleta!

É assim que as pessoas que fazem esta cirurgia, referem-se umas as outras: virou borboleta!

Quando descobri isso, achei tão lindo profundo! Pensei: eu também vou ganhar asas e voar! Desde então comecei a pensar em tudo que deixei de fazer neste tempo todo de gordinha, e tudo que tenho vontade de fazer e não consigo.

Perco noites de sono pensando nas mudanças, na qualidade de vida, de como vou me reencontrar! 

Não sei há muito tempo oque é dormir sem dores nas costas, usar um salto sem dores nos pés, usar blusas de alcinha, ficar sem cinta!!! Amar e me sentir amada... São coisas pequenas, que para quem é magro, talvez passe despercebido, mas que para mim é muito importante!

Eu quero mais é voar! Recuperar o tempo perdido! Levar alegria quando na companhia de amigos! 

Uma "borboleta" me disse: Priscila, se prepare, sua vida vai mudar a partir do dia 10... pode escrever isso no seu diário! Eu só respondi: AMÉMMMM!

E assim eu vou, contando as horas para ganhar asas!



"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."
Rubem Alves

Contar ou não?

Contar ou não contar? Eis a questão...

Contei!

Após ter decidido não contar para absolutamente ninguém, voltei atrás e abri meu coração para as pessoas que quero bem e que me me desejam o mesmo.

Isso não foi tarefa fácil. Fiquei com muito medo dos comentários que estavam por vim -  e  que vieram: já tentou dieta? Academia? Remédio? Etc... Pior foi quando disseram: você nem esta tão gorda assim... Há não...! 

Mesmo assim, não me arrependo, pois cada um que sabe é porque tem um lugar especial no meu coração e isso me basta. As opiniões eu relevo.

A minha preocupação é de que se alguma coisa sair do controle, todos já sabem a importância dessa cirurgia na minha vida, e que eu ao menos tentei... Mas nada de pensar negativo, certo?

A verdade é que me acostumei ficar pra baixo, pessimista, e foi tão bom ter me abrido através deste blog e com os amigos!

Quando contei para meu esposo - ele nem imaginava que eu sonhava com isso - ele ficou "um tanto" bravo, chateado mesmo. É que ele não entendia que era um socorro que eu pedia! E após conversar bastante, levá-lo aos médicos comigo, ele foi se abrindo e aceitando. Até que um dia ele ficou sabendo desse blog, e pediu que eu enviasse o link para ele. Eu, morrendo de vergonha dele conhecer meus sentimentos mais íntimos, enviei. E foi a melhor coisa que podia ter acontecido! Esses dias ele comentou com um amigo, que não conhecia meus sentimentos, minhas tristezas, e que ler oque escrevi foi fundamental para ele aceitar e me apoiar 100%. Preciso de mais? Só escrever mesmo...rsr! 

Entre altos e baixos, contar foi uma das melhores decisões que tomei.

Desde já agradeço o apoio de cada um que ouviu minhas lamentações e se colocaram dispostos para oque der e vier! 

Obrigada pelo carinho.